A pipa

Estou novamente correndo contra o tempo. É sempre assim: quanto mais tenho a fazer, menos tempo há disponível. Fico igualzinho uma pipa: seguindo a brisa que aparece, tentando alçar voos maiores — ou pelo menos não ser cortado.

Entre a correria e os afazeres pra ontem, entrei no Facebook pra desopilar, mas foi só pra descobrir sobre o falecimento dos entes queridos de mais de um amigo feicebucal.

Passada aquela sensação triste, veio aquele sentimento de solidariedade humana. E, com ele, percebi que a vida não passa de uma empinada de pipa.

Quer ver só?

Por vezes a vida te leva pra longe das pessoas, como o vento leva a pipa. Às vezes a linha (a ligação) te corta, te machuca.

E, inevitavelmente, uma hora ou outra vem alguém, corta sua linha e lá se foi uma pipa (ou amigo, familiar, amigo peludo).

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Soltando a pipa.

Estou escrevendo isso só pra dizer que a gente tem que acreditar que a pipa vai sempre alçar voos mais altos e melhores. Seja a distância, a ausência ou o luto, tudo acaba contribuindo pra que a criança que ficou sem sua pipa brinque de outra coisa, vá estudar… Cresça.

Portanto, as lições que levo disso são:

1. se tiver alguma pipa voando muito longe, é melhor baixá-la pra mais perto logo — vai que bate um ventão forte que a leva pra longe, né?

2. quem está sempre correndo acaba perdendo a vista que quem caminha enxerga.

Por fim, o pensamento que você deve levar quando alguma pipa sua voar pra longe é que ela está belíssima, planando pelos novos ares — celestiais ou estratosféricos.

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