30/09 – Dia do abraço virtual nozamigo

5h15. O dia já começou acelerado aqui: fiz meu exercício, tomei meu banho e me abuzanfei na cadeira. O Salém está do meu lado enquanto mentalmente faço os malabarismos necessários para:

  1. alterar o arquivo com as respostas do cliente
  2. entregar a revisão pendente
  3. revisar a tradução suspensa
  4. fazer faturas para os clientes do mês

Nada demais pra vida em que me meti.

E é dela que quero falar rapidinho — e juro que desta vez é verdade.

Primeiro porque não vou contar que a nossa existência é tão antiga quanto as diferentes línguas que surgiram nos primórdios do mundo. Ou que nosso padroeiro é o responsável pela Vulgata. Ou que atravessamos barreiras culturais para fazer povos se entenderem. Nem vou dar diquinhas, isso você encontra de monte aqui, aqui e em muitos outros lugares.

Nada disso.

A você, camarada:

  • correndo contra o tempo, se debruçando no dicionário pra descobrir o maledetto termo que indica o parafuso que prende o ângulo axial “y” naquela patente;
  • tentando descobrir como passar o je ne sais quoi do personagem sarcasticuzinho da nova empreitada editorial da qual você faz parte;
  • queimando os neurônios pra colocar em bom português a catchphrase do engraçadinho do seriado;
  • implorando pro palestrante desacelerar e mostrar os slides da palestra pra você também;

A você mesmo, senhor ou senhora invisível-às-massas-mas-primeiro-alvo-de-uma-pedrada-caso-apareça-um-errinho-num-livro-ou-o-título-de-um-filme-seja-esdrúxulo.

A você, meu amigo, muy amigo, colega, companheiro de fé e de ofício, cuja sina foi a de ter o poder de transmitir as palavras de alguém a outrem.

Minha admiração a você, profissional dedicado, que é quase a “nova loira do tchan” na categoria “rebolar pra cumprir prazos”; que precisa explicar sua profissão pra 9 de 10 desconhecidos na fila de banco; que ouve ofertas risíveis, quase ofensivas ao seu trabalho.

A você, que até aceita essas ofertas, porque as contas não se pagam sozinhas.

Enfim, a você, que passa por tudo isso, mais mil e uma outras situações trágico-cômico-bizarras, enfrenta-as com bom humor (ou resmungandinho, porque também nasceu da costela de Adão).

A você, tradutor, parabéns pelo seu dia! Tamo junto!

2015-09-30 07.41.05-2

E, claro, cafeína pra bebemorar!

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YouTubers, aprendizados e minha mágoa de cabocla

“Se a vingança é um prato que se come frio, a inveja é um prato que… te come! Ou melhor, que te consome!”

(SANTOS, Thiago de Araujo. São Paulo. Setembro de 2015.)

“Mano, cê tá nas droga?”

Por que digo isso? Vai venu…

Cá estava eu num momento de ócio improdutivo, vendo canais do YouTube banais e tudo mais. Sabe aquela bobice deliciosa que distrai sem necessariamente acrescentar ao espectador, mas que é muito agradável, mesmo não sendo tão saudável? Essa.

Depois de uma tarde inteira assistindo e curtindo vídeos e vídeos relacionados, conhecendo YouTubers famosos, não tão famosos, amigos de famosos e afins, passei a analisá-los com frieza pra saber qual é a sacada por trás dos canais de sucesso.

Como investi uma tarde inteira nessa maratona, não há nada mais justo que tentar extrair algo de bom de tudo o que vi. Algo que possa aplicar na minha carreira de freelancer, pra não me achar estúpido por perder horas a fio sem fazer nada produtivo. Netflix não conta. Netflix faz parte da formação do caráter!

Claro que não descobri uma mina de ouro nem nada, mas encontrei um padrão nos canais que vi. Como estava com vontade de escrever, resolvi compartilhar os meus achados com quem quer que leia esse post. Vou fazer em listinha, porque acho didático e fica mais fácil de organizar os pensamentos.

Ressalva: tudo o que percebi não passa de uma observação superficial, cujo nível de verdade é limitado. Só quero dizer com isso que é bem capaz que alguém aja de forma totalmente oposta ao que percebi e, se bobear, sua fama seja justamente por conta dessa diferencinha. Além disso, minha intenção não foi a de ofender ninguém, é um texto satírico. Eu sei que ser vloger é um trabalho como outro qualquer.

Keka

Energia que dá gosto

Não é comercial de achocolatado, mas parece ser essencial pra prender a atenção do carinha ou da menina que está do outro lado do monitor. Afinal, se você está assistindo algo pra se animar, ouvir o réquiem do bicho preguiça não ajuda.

Aparência

Tirando os vídeos cuja intenção era mostrar-se “tão mortal quanto os demais”, o pessoal costuma aparecer limpinho, asseadinho, cabelo penteado, maquiagem bacaninha (nada muito drag queen, a menos que seja uma drag queen de verdade). Não vi nenhum cagado tipo roupa suja. Se muito, seguem o estilo cagado-arrumado tão em voga.

pc-siqueira

Temática

Os vlogers que não tratam de temas específicos expõem justamente o que todo mundo quer saber: suas vidas particulares. O ser humano deve ter uma tara eterna por ver o outro. Voyeurismo puro!

BBB não me deixa mentir.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro…

Não se iluda: YouTube é mais uma plataforma interativa de negócios e esse pessoalzinho tá de olho é na bufunfa!

Como se ganha dinheiro com o Youtube?

Não sou nenhum especialista, mas acho que é assim:

  1. Paitrocínio

Ou espectadorcínio. O Youtuber pode explicitamente pedir dinheiro à sua audiência. Afinal, você não paga mensalidade de nada e não é tão sacanagem assim pedir pra contribuírem com o próprio entretenimento. É?

  1. Patrocínio.

Aqui é a parte que rola grana de verdade!

Repare como as grandes celebridades do YouTube se encaixam num “padrão”. É a menina popular, o cara sarado, a bonitinha que faz avaliações de produtos. Enfim…

Tudo negócio!

Não à toa todo final de vídeo traz consigo um link para inscrever-se no canal, pedir “joinha” e afins. Pra conseguir patrocínio, o cara precisa de mais assinantes, meu fiho!

Logo: quanto maior o número de assinantes, maiores as chances de uma marca alcançar o consumidor-alvo!

Jout

O segredo

Agora é que são elas e você já deve até saber qual é!

Toda a ficção é baseada no ser humano. A gente é narcisista mesmo. Até alien é meio-humano, porque gostamos de nos relacionar com o que vemos, que nos traga algo de familiar.

Pegue uma novela: o pobre sofre, enfrenta dificuldades. Mas é bonito e arrumadinho!

Já o rico… Ai, o rico é o rico, né? São inteligentes, bonitos, poderosos, vivem em casas luxuosas, usam roupas de marca, fazem viagens deslumbrantes.

Claro, precisam de um toque de humanidade, senão não nos relacionamos, mas a verdade é que são tudo o que não somos e têm tudo o que queremos!

Com todo apresentador do YouTube não é diferente: ele chora com você, conta da vida doida, faz aquelas estranhices, testes, tags e o diabo todo. MAS estão ganhando pra fazer vídeos de palhaçadas e você continua aí no seu trabalhinho de sempre!

É isso que pega: eles são uma versão aprimorada e despreocupada de toda a sua audiência!

Acabou…

Depois de tantas palavras escritas, finalmente chega ao fim este post imenso que ninguém vai ler até o final!

E por que minha frase inicial?

Oras, porque eu também adoraria viver de vídeos, passar o dia com e como os meus gatos, jogar videogame, assistir seriado e não ter que enfrentar prazos diários, crises econômicas e tudo mais que assola o universo.

Mas cadê a lição?

Falei, falei e falei, mas não tirei nenhuma lição.

Talvez umazinha: como freelancers, temos que criar a nossa marca pessoal. O nosso bordão. Precisamos associar nosso nome a alguma coisa, ser conhecidos por isso e ficar ricos assim!

Bom, veja pelo lado positivo: freelancer não pega metrô lotado pra ir trabalhar! =)

Tranca-Calçada

Não é preciso ser nenhum guru espiritual pra conhecer essa corja de demônios que assola nossas vidas diária.

O tranca-calçada é aquele ser limboso que não está satisfeito em ocupar apenas o espaço que lhe é devido, seja por andar de mãos dadas e lado a lado num espaço em que não passa um fio de cabelo, ou por andar com uma fila de criancinhas e impedir outros transeuntes, ou aquela pessoa que anda se arrastando enquanto todas as outras pessoas estão apressadas.

O tranca-calçada é uma entidade conhecida que aparece sempre que você está com pressa, ou com alguma coisa pesada, ou fugindo da chuva. Ou todas juntas!

Trudia desses, estava eu com um pacote não tão grande, mas visivelmente apressado pra não pegar tanta chuva — porque o botão do danado do meu guarda-chuva fez o favor de quebrar e não pude levá-lo pra passear.

Eis que sigo no meu passo de quem vai tirar o pai da forca, quando me deparo com duas moçoilas que ocupavam todo o espaço transitável da calçada: uma segurando um guarda-chuva daqueles tipo toldo e a outra eu nem vi.

Tento passar pelas duas pisando no barro da parte intransitável, meto o pé no lodo e mesmo assim tenho que pedir licença — que deve ter saído mais áspero do que diria num dia ensolarado, por assim dizer — no que a dona tolda abre alas pra essa carroça conseguir passar com seus bois na frente.

Naturalmente, o errado da história sou eu e elas chiaram. Afinal, qual é a desse cara, que passa como um furacão ou a crise — arrastando todo mundo — e ainda sendo estúpido, pra se achar no direito de passar na calçada delas?

Humanos, viu..