O negócio do profissional e o bico do amador

Pode perguntar pra qualquer tradutor: quase todos adoram o ofício. Talvez por isso a maior parte de nós tenha uma leve tendência a ser viciada em trabalho.

Mas fala a verdade: o que não tem pra gostar nessa delícia? Prazos apertados, gente abusada, captação de clientes, noites viradas…

Mentira!

Agora é sério: aprendizados diários, conhecimento novos, trabalho com a língua, fazer o que gosta… E ganhar dinheiro pra fazer isso!

Ser tradutor é maravilhoso!

Só que é preciso esclarecer algumas coisas, como a diferença entre um amador, que faz bico de tradução, e um profissional, que encara a profissão como um negócio.

Abracei o Mickey e o Pateta. E agora?

Um mito que permeia a nossa área é o de que qualquer pessoa bilíngue, trilíngue, poliglota, panglota ou mesmo a pessoa que apenas abraçou o Mickey na Disney… Enfim, qualquer pessoa que conheça/domine um idioma estrangeiro está apta a ser tradutora.

Abraço

Não necessariamente, mas também não quer dizer que não.

Conhecer os idiomas de trabalho é o requisito mínimo. Eu falei mínimo mesmo.

O negócio do profissional e o bico do amador

Além da frequência, acho que a maior diferença entre o profissional e o “amador remunerado” é a autopercepção. Esta atitude mental acaba por gerar um modus operandi diferente.

O tradutor ocasional costuma enfrentar a tarefa de traduzir como um complemento de renda, tendo como mentalidade vigente a de um funcionário, cujo empregador lhe deve um salário.

“Meu salário este mês vai ser baixo”

Um bicão enorme, vai render bastante.
Um um bicão enorme, vai render bastante.

Já o profissional encara a tradução como seu ofício, ganha-pão exclusivo (não necessariamente), seu primogênito querido, a menina dos olhos. Por encarar sua profissão como negócio, a atitude dele ou dela deve ser mais de empreendedor que de funcionário.

“Meus rendimentos neste mês foram bons”. “Minha carteira de clientes está boa”. “Conquistei um novo cliente este mês”. “Preciso investir em um curso de uma nova ferramenta”

Sacou a diferença?

Pense também na experiência que o cliente tem contratando os seus serviços versus o ato de simplesmente entregar um trabalho traduzido e pronto.

Tá bom, mas pode melhorar

Cursos, seminários, congressos, encontros, webinars, oficinas. Tudo isso faz parte da vida do profissional, que sabe que precisa estudar pra prestar serviços de maior qualidade, mais especializados e, consequentemente, mais bem-remunerados. Em uma palavra, profissionalização.

Afinal, fazer coisas diferentes não é pra qualquer um, monamú! Seja diferente como a Jesse-Jane McParland!

Do it like a pro

Amador — recebe arquivo de um cliente, começa a traduzir.

Pro — recebe arquivo, analisa o método pra traduzi-lo: numa CAT tools, usando tradução automática (?), na unha? Qual o registro público-alvo e uso do texto? Tem alguma referência? Glossário próprio? Manual de estilo do cliente?

Do it like a pro

CAT tools

Além de lindas e maravilhosas, as CAT tools são ferramentas de produtividade que ajudam a manter o texto consistente, a encontrar falhas e até a ganhar tempo. Se você quer ser profissional, aprenda a usá-las, conheça todas as que puder. Abuse e use!

Há vários textos e materiais sobre CAT tools, acho que não vou me aprofundar agora. Vou deixar dois links: um da TradWiki e um do Multitude (com videozinho e tudo).

Tradução automática (PEMT)

O Google Translate é um sistema de tradução automática on-line, por computador. Digamos que o que é mais simples e lógico na língua pode ser automatizado.

Assim, o tradutor pode valer-se de sistemas próprios de tradução automática off-line para fazer o grosso de alguns trabalhos. Claro, jogar no Google Translate não dá, é tenso, porque assim todos os dados são enviados pro Google-empresa e adeus confidencialidade.

Pensando nisso, algumas empresas criaram sistemas autônomos de tradução automática.

Claro, ninguém vai entregar um trabalho jogado do jeito que saiu neste programa! Esse texto traduzido pela máquina é editado pelo tradutor. A este processo de edição da tradução produzida por um sistema de tradução automática (por máquina, por computador) autônomo dá-se o nome de post-editing machine translation (PEMT).

A título de curiosidade, hoje em dia há clientes que pedem que o tradutor justamente faça essa edição, mas usando um texto produzido pelo sistema da própria empresa (não vale jogar no Google Translate), cujo resultado são traduções geralmente mais rudimentares, com alguns problemas, mas inteligíveis.

PEMT parece um mau agouro pros tradutores mais temerosos, que acham que a tradução automática será responsável pelo fim da profissão. Talvez seja verdade, mas só pra quem não faz um resultado muito melhor que o Google e esses sistemas autônomos.

De resto, sempre vai ser necessário editar porque o computador não pensa, e o tradutor sim (ou deveria).

Pra acabar, deixo este link do William Cassemiro para o ATA Chronicle, que tem muito mais propriedade pra falar do que eu.

Acho que já deu pra este post.

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Reconhecimento de voz — O despertar no Windows

Oi, pessoal, sumi, né?

No primeiro semestre, fiz um post com uma ideia de fluxo de trabalho utilizando o reconhecimento de voz do Swype no Windows. O reconhecimento do Swype funciona lindamente porque usa a tecnologia do Dragon Naturally Speaking.

Nenhuma novidade até aí.

Who cares
Aguenta que você já vai se importar.

No entanto, hoje, graças a um post naquele mesmo grupo de tradutores de que vivo comentando, descobri um novo fluxo por causa do Tiago Neto, post esse que indica várias formas de integrar a tecnologia de reconhecimento de voz ao nosso trabalho. Em MAC e em Windows.

Ler o post dele era o que faltava pra zerar o meu fluxo, cuja falha foi utilizar o Chrome Remote Desktop. Em vez disso, deveria ter utilizado o TeamViewer, como ele — aí seria perfeito!

Diferente do CRD, com o TV você não sofre com lentidão no PC, o que torna completamente viável este fluxo para o dia a dia! Agora já dá pra se beneficiar da tecnologia do Dragon!

Não é lindo?! Esta descoberta valeu por um presente de Natal! Espero que salve a vida de muitos mais!

Só pra lembrar:

Conexão de Internet + Swype + TeamViewer = reconhecimento de voz do amor no Windows

Pra encerrar este post, digo que tentei usar o Mobizen pra tentar integrar o fluxo e usar o reconhecimento direto no computador, mas minha versão de Android não deu certo. Talvez mais pra frente, quando atualizarem o aplicativo, eu consiga e aí posto meus resultados!