A menina do disk-água

Até em São Paulo, onde alguns ainda acreditam que somos frios e distantes, é possível fazer amiguinhos — ou eu tenho sorte. Tô falando da menina do disk-água.

Ela e eu temos história.

Certa vez, pedi o galão Lindoya de sempre e fiquei esperando por horas, até chegar o fim do dia. Ah, verdade, naquele dia, dei uma saidinha antes de fazer o pedido.

Chega o fim do dia e nada de água. Eu ligo pra minha amiga e ela diz:

— Eu enviei o rapaz, mas o porteiro falou que você tinha saído.

Neguei e pedi que me entregasse no outro dia. E que, se o menino da portaria dissesse que eu saí, era mentira dele, porque estava aqui e ele podia pedir pra falar comigo.

Desde então, sempre que ligo, já logo aviso que, se o menino da portaria disser que não estou, não é pra acreditar nele, porque estou devidamente abundado na minha cadeira rotatória.

Nossa relação se dá assim: eu faço o comentário, ela diz “Ah, o da Avanhandava”, ri e diz que vai mandar o menino assim que possível.

Maravilha.

2016-03-10 08.27.22
Meu galão, devidamente lindóyo.

Ontem, liguei lá pra pedir meu galão de costume, não sem avisar que não estaria aqui depois das 17h. Ela disse que tentaria enviar o menino da entrega (com quem também tenho história) antes desse horário.

Não rolou.

Hoje, já liguei:
— Oi, queria pedir um galão de água. Ontem eu pedi pra entregarem até 17h, mas o rapaz* não veio.

— É o da Avanhandava?

Eu assinto. Ela sorri.

— Pode deixar que hoje a gente dá um jeito de chegar antes.

— Muito obrigado. Bom dia!

— Bom dia!

E é assim que se dá a nossa relação: eu falo daqui, ela sorri de lá.

E ainda tem quem ache que em São Paulo só tem gente fria…

 

* quando falo rapaz é porque fico sem-graça de chamar todo mundo a partir de 1 ano de idade de menino ou menina.

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A formiga, o feijão queimado e 2 conselhos de Thii(o)zinho

Salve, salve, pessoal, cês tão bonzinhos?

Eu poderia dizer que estou ótimo, mas vim aqui pra compartilhar um draminha de alguém que está enfrentando uma maré relativamente azarada.

Pra quem acompanha minha timelinda, já ficaram sabendo que tá liberado usar fazer a Glória o Remelinha riscou a lente dos meus óculos. E que ele tá com a macaca, jogando meu celular e tudo o que pode no chão.

Isso não seria grandes coisa se tudo não estivesse acontecendo ao mesmo tempo. Como se não bastasse, tem umas ziquinhas rolando. Algumas são totalmente culpa minha, outras fogem à compreensão humana e precisarei de um parapsicólogo pra avaliar.

No 1º caso: o feijão. Comecei a fazer feijão, fui resolver uma coisa no PC, tive que ficar resolvendo-a, fim. Ou melhor, meio fim — deu pra salvar metade, antes de a casa pegar fogo!

No 2º, copio minhas reclamaçõezinhas facebucais: 1. gato que arranha a lente dos óculos; 2. a roda do seu mouse derrete misteriosamente, mesmo estando relativamente frio; 3. o interfone toca com você no chuveiro, o porteiro manda o moço da entrega subir sem esperar, aí você precisa atender esse desconhecido enrolado em duas toalhas.

Eu risquei a lente do óculos do meu pai e joguei o celular dele no chão 3x hoje.

Mas veja como não são as coisas: azar na cozinha/vida, sorte no trabalho.

Óia só: um projetão foi lançado ontem, o Deponia Doomsday (e outro engatilhado =^.^=) e eu, belo e folgado, tava achando que teria folga pra colocar a vida em ordem — resolver pendências pessoais, limpar a casa direito, fazer comida mais vezes, ficar menos horas no computador, escolher o professor de francês antes de começarem as aulas no curso de roteiro da semana que vem, etc.

No mundo ideal, eu tiraria férias depois da maratona de 2 meses de trabalho quase ininterrupto, mas não é bem assim.

Já de papo pro ar segunda, fui encher os pacová da minha sócia-lícia, a Su. Aquela marotagem boa e saudável que acontece entre as pessoas que sabem quanto o outro ganha. E, obviamente, uma reclamaçãozinha de como os dois andam trabalhando em ritmo escravonético e expressão do desejo de reduzir a jornada de trabalho também entraram no papinho.

— Imagina que delícia trabalhar 4 horinhas por dia, Thi. Isso que é vida!

— Acho que sou tão doido que não conseguiria, mas uma folguinha até que não cairia mal.

Diminuir o trabalho, ganhar mais, tudo lindo, mas não tão fácil, na prática. Como diziam as vovózinhas, canja e cautela não fazem mal a ninguém.

Por que digo isso? Vem com o Thii(o) que o Thii(o) explica.

Estamos enfrentando uma crise das brabas. Nacional e internacional.

Tá tudo dominado.

Todo dia tem um novo escândalo político adeus, Cunha, as notícias de cortes em empresas se alastram, os governos conservadores se espalham, as pessoas buscam a fé… Nada de novo debaixo do sol.

O fato é que, em maior ou menor escala, todos estão sofrendo com ela. E não tem ninguém imune, porque quem é que não foi ao mercadinho e encontrou o tomate a R$ 9 que atire a primeira pedra!

Nessas épocas em que o nosso dinheiro vale menos e fica difícil poupar, precisamos tentar apertar os cintos, rebolar até o chão e tirar coelhos da cartola.

Quem me conhece sabe que sempre fui e sempre serei uma formiga (da “A cigarra e a formiga”) e falo pra todo mundo:”guarda, mano. Quem guarda, tem. É sério”.

Eu tive 2 meses de baixa de trabalho (baixa = quase nenhum centavo entrando, mas aluguel, plano de saúde e todo o restante continuaram sendo pagos normalmente, sem ter o nome caindo no Serasa por isso).

Pra evitar que este post seja ainda maior do que já está, só queria deixar a dica: meça seus gastos e reservas financeiras, parça! Mais do que nunca, a crise é o melhor momento pra se esforçar um pouco mais pra fazer bonito, fidelizar um cliente, prestar um serviço que você não prestava, mas vem se capacitando… afinal, roubar banco não é uma opção. E se meter a político é igualmente ruim.

Portanto, ficam aí meus dois conselhos de Thii(o)zinho: guardem, manos e manas. Quem guarda, tem. Diversifiquem, minos e minas. Quem diversifica, a crise espanta. #nãorimoumasfuncionou

De resto, o importante é ter saúde e ser ganhador da loteria trabalho.