Retrospectiva 2016

Diz uma das minhas tatuagens, o meu ditado chinês favorito, que “a palavra é prata, o silêncio é ouro” (沉默是金 [chén mò shì jīn]). Como prefiro ouro a prata, não tenho escrito nada no blog por falta de importância às minhas palavras. Melhor não falar água ou abobrinha (só acho).

Como 2017 (ou 2016 pt. 2) está batendo na nossa porta, resolvi escrever rapidamente uma reflexão pessoal. Tento não ser piegas (lua em capricórnio não deixa), mas não é de todo mal fazer um balanço do que deu certo e do que não deu. Vou começar pelo negativo, pra terminar em alta.

Tivemos inúmeras perdas pra humanidade em diversos campos, sobretudo, talvez por estarem mais em evidência, no mundo dos artistas. Prince, David Bowie, Alan Rickman.

Uma das mais sentidas por mim foi a partida da autêntica Elke Maravilha, bem no meu aniversário. Só vi a notícia no fim do dia e, devo dizer, um pouco da alegria naquela data tão importante (minha entrada nos 30) foi pro beleléu.

Foi um ano duro.

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Vire uma estrela pra nos guiar, Elkinha

Alguns colegas também perderam entes muito queridos. Um senhor chinês desencarnou e deixou muitas saudades entre seus familiares e admiradores à distância (um abraço à Yasmin Fong). Uma intérprete que também parecia muito da animada também foi (um abraço ao Marcelo Neves e à Manuela de Sampaio pela amiga que se foi).

Em outro campo, a política nacional atingiu os níveis mais tragicômicos dos últimos anos da nossa jovem república tupiniquim. Um bombardeio de acontecimentos lastimáveis, delação premiada, algumas poucas quedas de cacifes (tchau, Cunha), alguns absurdos (que dividiram opiniões)… Fato é: muito se perdeu neste ano, especialmente a classe trabalhadora. Não vou entrar em polêmicas, todos acompanharam o folhetim que se tornou o nosso cenário político, a ação de juízes federais, da polícia, de lobistas, de toda a corja de deputados e senadores salafrários, etc…

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Foi tiro, porrada e bomba o ano inteiro.

Isso sem entrar nos conflitos internacionais e guerras, como os massacres humanitários, a guerra na Síria e na Líbia, a (falta de) anistia à FARC e um sem-fim de desgraças.

E, por falar em desgraça…

A vitória da intolerância com o Brexit e, principalmente, com a eleição de Donald Trump. Considerada piada de mau gosto. Temida até dizer chega. E, finalmente, concretizada. Resta-nos, agora, torcer para que ele seja menos doido do que parece.

O mundo parece torto e pronto para o meteoro, mas há esperança!

Apesar de o mundo estar essa baderna violenta e desigual toda, não dá pra deixar a peteca cair. Mesmo que seja para pensar no que o futuro nos reserva.

Pessoalmente, tive a felicidade de virar tio depois que minha adorada sobrinha Clarissa nasceu dia 13 de abril. Eu fui ao hospital e tudo. Não peguei a parte dramática (parto), já a vi direto na enfermaria. Foi emocionante ver aquela joelhinha ali. Eu a amei desde que soube que existiria e cada dia fico mais feliz pela vida dela. Espero que ela seja um agente de transformação!

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Já tá enorme, mas esta foto é tão linda…

Também no campo de realizações pessoais, tive a experiência incrível do meu intercâmbio. Conheci pessoas incríveis, expandi meus horizontes, aprendi muito francês, fiz amigos com os quais espero manter contato por toda a vida, senti muitas saudades do meu Henrique, dos meus gatos, dos meus (mamis e toda a família Araujo). Foi mágico e inesquecível!

Outra coisa incrível que aconteceu: fui padrinho do meu casal de amigos favorito com minha pessoa favorita no mundo. Claro, eu já fui padrinho das minhas BFFs do coração (não fiquem chateadas, meninas), mas, até então, não tinha sido padrinho COM o Henrique, então é diferente! Obrigado, gente, foi inesquecível!

Ah, claro que não posso deixar de agradecer à minha amada tradução pelas muitas graças alcançadas! Teve viagem, sim, mas também teve uma porrada de projetos e jogos incríveis – inclusive a chance de ver o reconhecimento do público sobre a minha tradução de Shovel Knight! Foi animador e nunca me senti mais orgulhoso do meu trabalho! Fora a penca de coisas que aprendi este ano: foi roteiro, escrita criativa e publicitária, tradução de cinema! Foi uma enxurrada de conhecimento!

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Dizem que os pais não podem ter filhos favoritos… bom, os AAAs que me desculpem, mas este é o meu favorito do ano!

Pra 2017 (AKA 2016 pt. 2), só digo o seguinte: pode vir, meu filho. Desejo que você seja mais gentil com todos. Tenha piedade de nós, pobres humanos. Nossos corações, apesar de nem sempre expostos, existem e merecem ser bem tratados!

Aos meus queridos amigos e familiares, obrigado pela paciência e presença na minha vida, seja ao longo de muitos ou poucos anos, em pessoa ou on-line. Aos meus clientes, obrigado pela parceria, vamos continuar fazendo mágica com as palavras! Aos meus colegas e aos leitores deste blog, tudo de melhor pra nós!

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Aham, também deu pra turistar durante o intercâmbio =)

Que as festas abundem amor e fartura! Que nossas mesas transbordem de alegria e de comida. E que nossos estômagos e vidas estejam sempre repletos! Não só os nossos, mas também a dos nossos invejosos e, sobretudo, daqueles que realmente precisam! Que nossas orações e anseios por um mundo melhor alcancem todas as pessoas que sofrem neste mundo!

Boas festas e feliz 2017!

PS: este texto deveria ser curto, mas acabou ficando maior do que o esperado – como sempre. Aliás, felizmente, tudo na minha vida tem sido maior e mais surpreendente do que o esperado. Obrigado, vida.

Atualização de 27/12/2016: Faleceram no dia 25 e 27/12, respectivamente, George Michael e Carrie Fisher, a Princesa Leia, ambos muito jovens (o primeiro com 53, a segunda com 60 anos). Georginho, suas músicas vão sempre balançar meu esqueleto. Carrie, the Force is strong with you forevah!

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